Bolsonaro instalou cofres no Alvorada para guardar armas
PF Investiga Cofres Secretos no Alvorada e Apreensão de Armas Aumenta Pressão sobre Bolsonaro
Uma nova revelação colocou o Palácio da Alvorada no centro de uma investigação explosiva e aprofundou ainda mais o cerco judicial em torno do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Polícia Federal apura a existência de cofres instalados na residência oficial da Presidência da República que teriam sido usados para armazenar armas de alto calibre pertencentes a Bolsonaro. A informação veio a público por meio do SBT News e foi detalhada pelo jornal O Globo nesta sexta-feira (19).
Segundo as apurações, dois cofres teriam sido encontrados dentro do Alvorada, supostamente utilizados para guardar fuzis e pistolas recebidos como presentes de chefes de Estado estrangeiros durante o mandato presidencial. Um dos episódios que chama mais atenção teria ocorrido em 2019, quando Bolsonaro recebeu um fuzil do governo dos Emirados Árabes Unidos durante uma visita oficial — presente que teria motivado a instalação dos cofres no local.
Cofres foram abertos anos depois e revelaram mais do que armas
De acordo com a Polícia Federal, os cofres só foram abertos em junho deste ano, aproximadamente dois anos e meio após Bolsonaro deixar o Palácio da Alvorada. O que foi encontrado no interior elevou ainda mais a gravidade do caso.
Além das armas, os agentes localizaram documentos pessoais do ex-presidente e outros bens, cujo conteúdo exato e origem agora estão sob investigação. A presença desses itens levanta suspeitas sobre uso indevido de bens públicos, guarda irregular de armamento e possível ocultação de patrimônio.
Moraes autoriza interrogatório de Bolsonaro
Diante das descobertas, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o interrogatório de Jair Bolsonaro. A oitiva foi marcada para o dia 30 de dezembro, entre 9h e 11h, na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde o ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, imposta pelo STF em razão de sua condenação por participação em uma tentativa de golpe de Estado.
Em ofício enviado ao ministro, a Polícia Federal deixou clara a necessidade do depoimento.
“Tendo em vista terem sido encontrados documentos pessoais do ex-Presidente Jair Messias Bolsonaro, junto a outros bens, faz-se necessária a realização de oitiva do mesmo, para que se manifeste sobre a propriedade e origem de tais bens”, diz o documento citado na reportagem.
Investigação foi acionada pelo Planalto
A PF informou ainda que a investigação teve início após um acionamento formal da Presidência da República, que solicitou esclarecimentos sobre os cofres encontrados no Alvorada. Embora a data exata da comunicação não tenha sido divulgada, o foco da apuração é claro: determinar se as armas deveriam ter sido incorporadas ao patrimônio público ou se houve irregularidades na guarda desses itens após o fim do mandato.
Cerco se fecha e novas perguntas surgem
A revelação dos cofres secretos amplia o conjunto de investigações que cercam Bolsonaro e reforça a imagem de um ex-presidente sob intensa pressão judicial. O caso levanta questionamentos sensíveis sobre segurança institucional, uso de bens públicos, presentes diplomáticos e os limites da atuação presidencial.
Cada novo detalhe que vem à tona parece acrescentar mais peças a um quebra-cabeça jurídico cada vez mais complexo. E, à medida que o interrogatório se aproxima, cresce a expectativa sobre o que Bolsonaro terá a dizer — e sobre quais novos desdobramentos esse episódio ainda pode provocar.
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