Advogado de Trump resgata fala de Moraes após ação militar dos EUA e reacende polêmica

O advogado Martin De Luca, que atua tanto para a Trump Media quanto para a plataforma Rumble, voltou ao centro do debate político neste sábado (3/1) ao resgatar uma declaração antiga do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A fala, concedida à revista The New Yorker em abril de 2025, foi relembrada justamente no dia em que os Estados Unidos lançaram uma ofensiva militar em território venezuelano, o que acabou dando um peso ainda maior à postagem.

Na entrevista citada por De Luca, Moraes comentava, de forma irônica, sobre possíveis tentativas de interferência externa nas decisões do Judiciário brasileiro. O contexto, à época, envolvia pressões do governo do então presidente Donald Trump em relação à atuação do STF no processo que culminou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ministro foi direto, com aquele tom que já virou marca registrada.

“Se eles [EUA] enviarem um porta-aviões, então veremos. Se o porta-aviões não chegar ao Lago Paranoá, isso não influenciará a decisão [do julgamento da trama golpista] aqui no Brasil”, disse Moraes na ocasião. A frase, que na época parecia quase uma provocação retórica, voltou a circular com força nas redes sociais após os acontecimentos deste fim de semana.

O post de De Luca ganhou tração poucas horas depois de autoridades americanas informarem que forças dos Estados Unidos realizaram ataques na Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa. A notícia correu rápido, foi compartilhada por aliados de Trump, críticos de governos de esquerda na América Latina e também por perfis que costumam bater de frente com o STF brasileiro.

Não demorou para que a internet fizesse o que sempre faz: juntasse peças aparentemente distantes. Para muitos usuários, a fala de Moraes parecia agora carregada de um novo significado, quase premonitório. Outros, mais cautelosos, lembraram que o comentário foi feito em outro contexto, sem qualquer relação direta com a Venezuela ou com ações militares dos EUA na região.

Ainda assim, o clima político ajuda a explicar a repercussão. O Brasil vive um período de forte polarização, com o Judiciário frequentemente no centro das discussões. Qualquer declaração passada de ministros do STF vira munição, seja para críticas, seja para defesas apaixonadas. E quando entra em cena o nome de Trump, mesmo fora da Casa Branca, a temperatura sobe rapidinho.

De Luca, por sua vez, não fez grandes comentários adicionais. Limitou-se a reproduzir o trecho da entrevista e deixar que o público tirasse suas próprias conclusões. Essa estratégia, aliás, é comum em disputas políticas nas redes: jogar a frase no ar e observar o efeito dominó. Em poucos minutos, já havia gente falando em soberania nacional, outros em ameaça estrangeira e alguns até ironizando a comparação com o Lago Paranoá.

Especialistas ouvidos por veículos de imprensa destacaram que decisões do STF seguem protegidas pela Constituição brasileira e que pressões externas, sejam diplomáticas ou simbólicas, não têm efeito jurídico direto. Mas, na prática, o impacto político e comunicacional é inegável. Declarações assim moldam narrativas, influenciam debates e reforçam posições já consolidadas.

No fim das contas, o episódio mostra como frases ditas meses atrás podem ganhar nova vida dependendo do cenário internacional. Um comentário que parecia apenas uma resposta firme virou combustível em meio a uma crise regional envolvendo os Estados Unidos e a Venezuela. E, goste-se ou não, Alexandre de Moraes voltou ao centro do palco — mesmo sem ter dito uma única palavra neste sábado.

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