Chega uma notícia que anima a família de Elisa Samudio
O desaparecimento de Eliza Samudio, ocorrido em junho de 2010, permanece um dos casos mais intrigantes e dolorosos da crônica policial brasileira. A modelo e atriz, que tinha 25 anos na época, foi vista pela última vez após uma série de eventos envolvendo o ex-jogador de futebol Bruno Fernandes de Souza. Acusado de sequestro, tortura e homicídio, Bruno foi condenado, mas o corpo de Eliza nunca foi localizado, deixando um vazio que alimenta especulações há mais de 15 anos. A ausência de restos mortais transformou o crime em um enigma que mistura justiça inacabada e teorias conspiratórias.
Recentemente, em janeiro de 2026, uma descoberta inesperada reacendeu o interesse público pelo caso. Um passaporte antigo emitido em 2006 em nome de Eliza Samudio foi encontrado abandonado em um apartamento alugado em Portugal. O documento, em bom estado de conservação, estava entre livros numa estante de uma casa compartilhada, onde um morador — identificado apenas como José — o localizou no final de 2025. Surpreso com o achado, ele decidiu entregar o item às autoridades brasileiras, evitando especulações sobre como o objeto chegou até ali.
O passaporte apresenta apenas uma única marcação de entrada em Portugal, datada de 5 de maio de 2007, sem registro de saída. Isso coincide com relatos da própria Eliza em entrevistas antigas, quando ela mencionou viagens pela Europa, incluindo Portugal e Alemanha. Apesar disso, a presença do documento no país europeu gera questionamentos, já que Eliza foi assassinada em território brasileiro anos depois daquela data, e não há indícios de que ela tenha retornado à Europa após 2007. O objeto parece ter sido esquecido ou abandonado há muito tempo, possivelmente por um antigo ocupante do imóvel.
O morador que encontrou o passaporte optou por não revelar a identidade da proprietária do apartamento, alegando receio de envolver pessoas alheias ao episódio. Ele mesmo acompanhou jornalistas até o Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, onde entregou o documento formalmente. O consulado confirmou o recebimento e comunicou imediatamente o Itamaraty em Brasília, informando que aguardava orientações sobre os próximos procedimentos. A entrega oficial dá credibilidade à história e evita que o achado se perca em rumores sem fundamento.
A mãe de Eliza, Sônia Moura, foi procurada para comentar a novidade, mas até o momento não se pronunciou publicamente. O silêncio dela reflete o sofrimento prolongado da família, que convive com a ausência de um corpo para sepultar e respostas definitivas sobre o que realmente aconteceu. O filho de Eliza, Bruninho, criado longe do holofote, também carrega as marcas de uma infância marcada pela violência e pelo mistério em torno da mãe.
Essa descoberta não resolve o crime nem traz o corpo de Eliza à tona, mas introduz um novo elemento ao quebra-cabeça. Muitos se perguntam como um passaporte de alguém dado como morto há tanto tempo poderia reaparecer em outro continente, intacto e sem explicação aparente. A resposta pode ser simples — um esquecimento antigo de viagem — ou abrir portas para hipóteses mais complexas, embora improváveis, sobre movimentações não registradas.
Por enquanto, o passaporte segue sob análise das autoridades brasileiras, que decidirão se há relevância investigativa no achado. O caso Eliza Samudio continua a simbolizar não apenas uma tragédia individual, mas a luta por justiça em meio à impunidade parcial e ao silêncio que ainda paira sobre detalhes cruciais. A cada nova informação, o Brasil revive a memória de uma jovem cuja vida foi interrompida de forma brutal, e cuja história insiste em não ser esquecida.
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