De sunga, Lula faz analogia na praia para pedir fim do preconceito entre esquerda e direita

Quem acompanha as redes sociais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da primeira-dama Janja da Silva percebeu um clima diferente nos primeiros dias do ano. Nada de discursos longos ou anúncios oficiais. O cenário escolhido foi a Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro, com mar aberto, vento leve e um vídeo que rapidamente chamou a atenção de apoiadores e críticos.

Na gravação publicada por Janja, Lula aparece observando o mar e comentando um fenômeno curioso: as chamadas ondas cruzadas, quando ondulações vindas de direções diferentes se encontram no meio do caminho. Em tom tranquilo, quase didático, o presidente usa a imagem para fazer uma analogia política. Segundo ele, ali estava uma prova de que forças opostas podem se encontrar e construir algo maior. A fala, simples e simbólica, foi vista por muitos como um recado direto ao clima de polarização que ainda marca o debate público no Brasil.

A legenda escrita por Janja também ajudou a dar o tom da publicação. Ela contou que a viagem serviu para recarregar as energias e afirmou que o casal presidencial entrará em 2026 com “toda a força”. Não houve promessas específicas nem frases de efeito exageradas. O texto apostou em palavras como disposição, diálogo e cuidado com o país, reforçando uma imagem de continuidade e preparação para os desafios que vêm pela frente.

A escolha da Restinga da Marambaia não foi aleatória. A área, que abriga um centro de treinamento da Marinha, tem acesso controlado e histórico de receber presidentes em momentos de descanso. É um lugar isolado, cercado por natureza preservada, onde o silêncio costuma falar mais alto do que qualquer agenda cheia. Lula e Janja passaram cerca de uma semana no local durante o recesso de ano novo, longe dos holofotes mais intensos de Brasília.

Esse tipo de pausa, aliás, não é novidade na política. Em anos recentes, outros líderes também usaram o início do ano para desacelerar, refletir e ajustar o ritmo antes de retomar compromissos oficiais. No caso de Lula, o retorno às agendas aconteceu na última quarta-feira, dia 7, marcando oficialmente o fim do período de descanso.

O vídeo do mar acabou ganhando leituras diferentes. Para alguns, foi apenas um momento pessoal compartilhado de forma espontânea. Para outros, uma mensagem cuidadosamente pensada, usando a natureza como metáfora para defender diálogo e convivência entre posições distintas. Em tempos de redes sociais, onde cada gesto é analisado com lupa, dificilmente algo passa despercebido.

Também chama atenção a forma como a comunicação foi feita. Sem cenário elaborado, sem roteiro visível, apenas um comentário simples diante do mar. Essa informalidade conversa bem com o estilo que Janja tem adotado nas redes, mais próxima, mais direta, tentando humanizar a figura presidencial.

No fim das contas, o episódio diz menos sobre ondas e mais sobre narrativa. Mostra um presidente que, após um ano intenso, busca reforçar a ideia de união e trabalho contínuo. E uma primeira-dama que usa palavras calmas para sinalizar que o descanso acabou, mas a disposição segue firme.

Se a mensagem convenceu todos, é outra história. Mas, ao menos por alguns minutos, o debate saiu dos gabinetes e foi parar na beira da praia, embalado pelo som do mar e por uma metáfora que, goste-se ou não, deu o que falar.

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