Direita entram em ação contra a Havaianas e a marca sofre grande perda

Campanha da Havaianas vira campo de batalha política e provoca boicote nas redes

O que era para ser apenas uma propaganda leve de fim de ano acabou se transformando em mais um episódio da guerra política nas redes sociais. A nova campanha da Havaianas, estrelada pela atriz Fernanda Torres, provocou uma onda de indignação entre políticos e influenciadores alinhados à direita, que enxergaram no comercial uma mensagem política velada e provocativa.

Tudo começou com uma frase aparentemente inofensiva. No vídeo, Fernanda diz que “não quer que você comece 2026 com o pé direito”, expressão popularmente associada à sorte. O problema é que, para parte do público, a fala ultrapassou o campo da publicidade e entrou no território da ideologia.

“Indireta política” ou interpretação exagerada?

No roteiro do comercial, a atriz desenvolve o conceito com ironia e entusiasmo:

“Desculpas, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito. Não é nada contra a sorte, mas vamos combinar que sorte não depende de você. Depende da sorte. O que eu desejo é que você comece o ano novo com os dois pés. Os dois pés na porta, os dois pés na estrada, os dois pés na jaca. Os dois pés onde você quiser — vai com tudo. De corpo e alma, da cabeça aos pés. Havaianas, todo mundo usa.”

Para críticos à direita, no entanto, o discurso foi interpretado como uma provocação simbólica, sugerindo uma rejeição ao “pé direito” — termo que, para esse grupo, teria uma conotação política implícita. A leitura rapidamente viralizou e incendiou comentários, vídeos e threads.

Boicote, acusações e reação em cadeia

Nas redes sociais, usuários passaram a acusar a marca de misturar publicidade com ideologia, alegando que a Havaianas teria adotado um suposto viés político de esquerda. Em resposta, surgiram campanhas espontâneas de boicote e chamadas para substituir o produto por marcas concorrentes.

O vídeo, publicado na quinta-feira (18) no Instagram da Havaianas, ultrapassou 6 milhões de visualizações em poucos dias, mas chamou atenção por aparecer apenas na aba de Reels — fora do feed principal. O detalhe levantou suspeitas entre internautas sobre uma possível tentativa de reduzir a exposição após a polêmica, algo que a empresa não confirmou.

Políticos entram no embate

A controvérsia ganhou ainda mais força quando parlamentares federais passaram a se manifestar publicamente.

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) ironizou o slogan da marca:

“Havaianas, nem todo mundo agora vai usar”.

Já a deputada Bia Kicis (PL-DF) foi direta:

“Se as Havaianas não nos querem, nós também não queremos as Havaianas”.

O tom mais duro veio do deputado Eduardo Pazuello (PL-RJ), que criticou o momento e o conteúdo da campanha:

“Que vergonha! Em pleno Natal, tempo de união, respeito e reconciliação, a Havaianas escolhe usar o marketing para provocar e dividir. Isso não é criatividade. É um desserviço à sociedade”.

Silêncio da marca e da atriz

Procurada pelo g1, a Alpargatas, dona da Havaianas, afirmou que não irá se manifestar sobre o episódio. A assessoria de Fernanda Torres também não respondeu até a última atualização da reportagem.

Enquanto isso, o debate segue fervendo nas redes, com defensores alegando que a interpretação é forçada e críticos afirmando que grandes marcas precisam assumir responsabilidade pelo impacto de suas mensagens.

Publicidade, política e polarização

O episódio escancara como, no Brasil atual, qualquer mensagem pública pode se tornar um estopim político, especialmente quando envolve figuras conhecidas e marcas populares. O que nasceu como uma campanha de verão acabou se transformando em símbolo de divisão, mostrando que, em tempos de polarização extrema, até um par de sandálias pode virar munição ideológica.

E a pergunta que fica é inevitável: foi apenas propaganda — ou mais um reflexo de um país onde tudo se transforma em disputa?

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