“Estou cheio de roxos no corpo, mas bem” diz jovem que sumiu no Pico Paraná

O reaparecimento de Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, trouxe alívio e emoção para muita gente que acompanhou, apreensiva, os dias de buscas no Pico Paraná. Depois de quase cinco dias desaparecido, o jovem foi encontrado com vida e falou pela primeira vez desde então em um vídeo simples, direto e carregado de sentimento, gravado durante uma chamada com a irmã.

A gravação, divulgada pela família nas redes sociais, mostra um Roberto ainda visivelmente confuso em alguns momentos, mas consciente e disposto a responder tudo o que era perguntado. A irmã, aflita, pede que ele diga onde está e como se sente, já que precisava das informações para repassar ao Corpo de Bombeiros. Ele explica que conseguiu chegar até uma fazenda, localizada na região de Cacatu, próxima a uma usina hidrelétrica chamada Cacatua, com o auxílio de pessoas da propriedade rural.

Durante a conversa, Roberto chega a errar a própria idade, mas logo se corrige, o que chamou a atenção de quem assistiu ao vídeo. Mesmo assim, ele faz questão de tranquilizar a família. Conta que sofreu alguns ferimentos ao longo do caminho, está com o corpo machucado, sem os óculos, sem as botas e com dificuldades para enxergar, mas reforça diversas vezes que está bem. A calma com que ele fala contrasta com a tensão dos dias anteriores.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o jovem percorreu mais de 20 quilômetros sozinho pela mata até conseguir ajuda. O tenente-coronel Ícaro Gabriel destacou que Roberto conseguiu superar obstáculos difíceis, descer encostas e se orientar até chegar à fazenda. Para os socorristas, foi um desfecho considerado extremamente positivo, levando em conta as condições do terreno e o tempo em que ele permaneceu desaparecido.

Após ser localizado, Roberto foi encaminhado ao hospital de Antonina para avaliação médica. A família, emocionada, seguiu imediatamente para encontrá-lo. Em uma das mensagens divulgadas, a irmã resumiu o sentimento do momento: gratidão, fé e a sensação de que um milagre havia acontecido.

O caso começou no dia 31 de dezembro, quando Roberto iniciou a trilha ao Pico Paraná ao lado de uma amiga. De acordo com os bombeiros, ele passou mal em alguns momentos durante a subida. Mesmo assim, os dois chegaram ao cume por volta das 4h da manhã do dia 1º de janeiro. O Pico Paraná, com seus 1.877 metros de altitude, é o ponto mais alto da região Sul do Brasil e exige preparo físico e experiência.

Na descida, a dupla se juntou a outros trilheiros, mas acabou se separando. A amiga seguiu em um ritmo mais rápido após encontrar outro grupo, enquanto Roberto ficou para trás. Familiares afirmam que ela havia sido alertada por outro montanhista sobre a importância de permanecerem juntos, já que ele não estava bem.

Um boletim de ocorrência foi registrado, e a Polícia Civil ouviu familiares e pessoas que fizeram a trilha no mesmo período. A mulher que acompanhava Roberto também prestou depoimento. Até o momento, não há indícios de crime, segundo as autoridades.

Durante as buscas, o Parque Estadual Pico Paraná teve o acesso restringido, atendendo a uma recomendação dos bombeiros. Trilheiros que desejavam ajudar precisaram se cadastrar, e uma base de apoio foi montada no local. O Instituto Água e Terra informou ainda que Roberto não realizou o cadastro obrigatório para acesso ao parque, que estava com funcionamento especial por causa do Réveillon.

O episódio reacende o debate sobre segurança em trilhas e a importância do planejamento, especialmente em áreas de difícil acesso. No fim, o que fica é o alívio coletivo e a certeza de que a solidariedade, aliada ao trabalho das equipes de resgate, fez toda a diferença.

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