Médico rompe o silêncio e entrega quadro clínico de Bolsonaro: “está apático “

Avaliação médica aponta alterações neurológicas em Jair Bolsonaro após queda na Polícia Federal

Uma avaliação médica realizada na noite desta terça-feira (6) levantou novos alertas sobre o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Após sofrer uma queda dentro da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, Bolsonaro apresentou sinais neurológicos que, segundo os médicos responsáveis pelo atendimento, exigem investigação detalhada e não podem ser considerados triviais.

A informação foi confirmada pelo cardiologista clínico Brasil Caiado, que participou diretamente da avaliação. De acordo com o médico, o ex-presidente demonstrou apatia e lentidão para responder a perguntas simples, comportamentos que chamaram a atenção da equipe médica durante o exame clínico.

Segundo os relatos, a queda teria ocorrido por volta das 5h da manhã, mas só foi percebida oficialmente por agentes da Polícia Federal cerca de três horas depois, por volta das 8h. A demora entre o ocorrido e a identificação do episódio aumentou a preocupação dos profissionais de saúde, principalmente pelo risco de lesão neurológica não diagnosticada de imediato.

O primeiro atendimento foi realizado ainda pela manhã por um médico de plantão, quando surgiram suspeitas iniciais de traumatismo craniano, lesão em um dos dedos da mão e até a possibilidade de uma crise convulsiva. Diante do quadro, Brasil Caiado foi acionado e chegou à Superintendência da PF por volta das 10h30 para uma avaliação mais aprofundada.

Durante o exame, o médico observou sinais físicos que reforçaram a necessidade de investigação, como contusão, vermelhidão no rosto, tontura persistente e uma discreta queda da pálpebra esquerda, um sinal que, segundo ele, não deve ser ignorado em avaliações neurológicas.

Por precaução, Bolsonaro permaneceu em jejum ao longo de todo o dia, para possibilitar a realização de exames mais complexos assim que houver autorização. A equipe médica solicitou uma série de procedimentos, incluindo tomografia de crânio, ressonância magnética e eletroencefalograma, considerados fundamentais para identificar a origem dos sintomas e orientar o tratamento adequado.

Em declaração à imprensa, Caiado ressaltou que o quadro exige cautela. “Quando temos sinais neurológicos inespecíficos, diversas condições podem estar associadas. Sem exames, não é possível estabelecer um diagnóstico preciso”, afirmou.

Outro ponto que gerou apreensão foi a necessidade de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para a transferência do ex-presidente a uma unidade hospitalar. Segundo o cardiologista, a liberação ainda não havia ocorrido até o início da noite, o que limitava as ações da equipe médica. “Estamos apreensivos, mas restritos. Assim que houver autorização, a transferência será imediata”, declarou.

O episódio também teve repercussão política imediata. Em meio ao histórico de embates entre aliados de Bolsonaro, o STF e a Polícia Federal, qualquer informação relacionada à saúde do ex-presidente ganhou grande visibilidade nas redes sociais, com manifestações tanto de apoio quanto de críticas.

Familiares acompanharam a situação ao longo do dia. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro esteve na Superintendência da PF, assim como o vereador Carlos Bolsonaro. Pessoas próximas relataram um clima de cautela, sem alarmismo, mas com preocupação evidente diante da possibilidade de alterações neurológicas.

A expectativa agora gira em torno da autorização para a transferência hospitalar e da realização dos exames solicitados. Somente após a conclusão dessas avaliações será possível determinar a gravidade do quadro e os próximos passos do acompanhamento médico.

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