Nikolas Ferreira compartilha imagem falsa de Lula é recebe duro castigo

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou ao centro de uma polêmica que rapidamente ganhou força nas redes sociais e nos bastidores de Brasília. Desta vez, o motivo foi a divulgação de uma imagem falsa que mostra o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, supostamente sendo sequestrado por agentes estrangeiros, mais especificamente norte-americanos.

A publicação causou revolta imediata entre parlamentares, juristas e parte da sociedade civil. A montagem foi interpretada como uma alusão direta à prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro, que nos últimos dias dominou o noticiário internacional e gerou tensão diplomática na América Latina. A comparação, segundo críticos, não foi apenas de mau gosto, mas ultrapassou limites institucionais.

Após a repercussão negativa, uma denúncia formal foi encaminhada à Procuradoria-Geral da República (PGR). O entendimento de quem apresentou a representação é de que a postagem não pode ser tratada apenas como opinião política ou crítica dura, mas sim como algo que flerta com a desinformação e com a ameaça à soberania nacional. Para eles, sugerir o sequestro do presidente brasileiro por uma potência estrangeira é algo grave demais para ser relativizado.

Entre os que reagiram publicamente estão o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) e o professor e cientista político Juliano Medeiros. Ambos anunciaram que irão acionar a Justiça contra Nikolas Ferreira. Medeiros foi direto ao afirmar que a imunidade parlamentar não é um “escudo absoluto” e não se aplica quando há indícios de defesa de ruptura democrática ou de interferência externa nos rumos do país.

“Ninguém está acima da lei”, afirmou Medeiros em declaração que circulou amplamente nas redes. Segundo ele, nenhum parlamentar pode se esconder atrás do mandato para sugerir, ainda que de forma simbólica ou irônica, uma invasão estrangeira ou o sequestro do chefe de Estado brasileiro. A fala ganhou apoio de outros setores políticos, inclusive de figuras que não costumam concordar com o PSOL.

A pressão aumentou ainda mais quando o advogado Leonel Camasão, de Florianópolis (SC), anunciou que também protocolaria uma representação no Ministério Público Federal. Para ele, a imagem publicada por Nikolas Ferreira pode configurar violação da Lei nº 14.197/2021, que trata dos crimes contra o Estado Democrático de Direito. Na avaliação do advogado, a montagem atenta contra a estabilidade institucional e banaliza ameaças que, em outros países, já resultaram em conflitos reais.

Nos corredores do Congresso, o assunto virou tema de conversas reservadas e preocupação pública. Há quem avalie que o deputado mineiro pode, sim, enfrentar consequências mais severas, inclusive a perda do mandato, caso as autoridades entendam que houve extrapolação dos limites legais. Outros, mais cautelosos, dizem que o processo ainda está no início e que qualquer punição dependerá de uma longa análise jurídica.

O fato é que o episódio acontece em um momento delicado da política brasileira, marcado por debates sobre fake news, radicalização e o papel das redes sociais na democracia. Casos recentes mostram que o Judiciário tem adotado uma postura mais rígida diante de publicações que incentivam ataques às instituições.

Enquanto isso, Nikolas Ferreira ainda não apresentou uma explicação convincente que reduza o impacto do ocorrido. Seus apoiadores falam em liberdade de expressão, já os críticos insistem que liberdade não é licença para espalhar imagens falsas com potencial de instabilidade. O desfecho desse caso pode abrir um precedente importante — e servir de alerta para outros parlamentares que confundem engajamento digital com responsabilidade pública.

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