Em post que celebra queda de Maduro, Eduardo Bolsonaro ameaça Lula

A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelas forças dos Estados Unidos provocou repercussão imediata não só fora do Brasil, mas também dentro do cenário político nacional. Neste sábado, dia 3, quem resolveu se manifestar foi o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que usou as redes sociais para comentar o episódio e, de quebra, elevar o tom contra lideranças da esquerda latino-americana, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em uma publicação feita no Twitter, Eduardo foi direto e sem rodeios. Segundo ele, o governo venezuelano sempre teria funcionado como uma espécie de base de sustentação do Foro de São Paulo, grupo que reúne partidos e movimentos de esquerda da América Latina. “O regime venezuelano é o pilar financeiro, logístico e simbólico do Foro de São Paulo”, escreveu. Em seguida, afirmou que, com Maduro capturado com vida, líderes como Lula e o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, enfrentariam “dias terríveis”. A mensagem terminou com um slogan já conhecido entre seus apoiadores: “Viva a liberdade!”.

A fala rapidamente se espalhou pelas redes sociais e dividiu opiniões. De um lado, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro elogiaram o tom duro e viram na declaração um alerta político. Do outro, críticos classificaram a postagem como uma ameaça explícita e um exemplo de discurso que só contribui para acirrar ainda mais a polarização no país.

O contexto ajuda a entender por que a declaração ganhou tanta força. A captura de Maduro, confirmada oficialmente pelo governo americano horas antes, marcou um novo capítulo na crise venezuelana e nas relações entre Estados Unidos e América Latina. O episódio veio após semanas de tensão, sanções econômicas e movimentações diplomáticas que já vinham sendo acompanhadas de perto por analistas internacionais.

No Brasil, o tema caiu como combustível em um ambiente político que já estava aquecido. O Foro de São Paulo, citado por Eduardo Bolsonaro, é frequentemente mencionado por setores conservadores como uma articulação ideológica de governos de esquerda. Já para partidos progressistas, o grupo é visto como um espaço de diálogo político regional, sem o peso conspiratório que seus críticos costumam atribuir.

A menção direta a Lula também não passou despercebida. O atual presidente brasileiro tem buscado, desde o início do mandato, reconstruir pontes diplomáticas na América do Sul e manter uma postura de diálogo com diferentes governos da região. Por isso, a postagem de Eduardo foi interpretada por aliados do Planalto como uma tentativa de pressionar e intimidar politicamente.

Especialistas em comunicação política avaliam que o uso das redes sociais, especialmente em momentos de crise internacional, tende a amplificar discursos mais duros. Uma frase curta, publicada em um sábado de manhã, é capaz de pautar debates, gerar manchetes e provocar reações em cadeia. Foi exatamente o que aconteceu neste caso.

Enquanto isso, o governo brasileiro optou pelo silêncio. Até o momento, Lula não comentou publicamente nem a captura de Maduro nem as declarações do ex-deputado. A estratégia, segundo pessoas próximas ao Planalto, é evitar alimentar polêmicas em um momento delicado da política externa.

O fato é que o episódio mostra como eventos internacionais continuam tendo impacto direto no debate interno brasileiro. Uma operação realizada fora do país acabou servindo de palco para recados políticos, disputas ideológicas e novas tensões. E, como costuma acontecer em tempos de redes sociais, tudo aconteceu rápido, com frases curtas, reações imediatas e muita interpretação pelo caminho.

Resta saber se as palavras de Eduardo Bolsonaro ficarão apenas no campo retórico ou se terão algum efeito prático no cenário político daqui para frente. Por enquanto, o que se vê é mais um capítulo de um debate que parece longe de esfriar.

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